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Política Doméstica vs Política Externa?

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Globalização significa mais do que ter amigos de países diferentes no Facebook ou receber notícias do outro lado do mundo em tempo real pelo Twitter. Em um mundo globalizado, compartilhamos muitos de nossos problemas, assim como a responsabilidade de encontrar soluções. Foi essa ideia que me atraiu ao mundo da Política Externa e Cooperação Internacional: se trabalhamos juntos como nações, cada um trazendo à mesa seu melhor, nós podemos de fato resolver muitos desses problemas.

Ainda assim, de vez em quando ouço a mesma pergunta: “Para que gastar todo esse tempo e essa energia olhando para fora, sendo que temos tantos problemas nos nossos quintais? O Governo deveria olhar mais para dentro e menos para fora”. A verdade é que boa parte das questões que enfrentamos hoje são globais.

Mudança do Clima é uma dessas questões. Todos somos afetados por ela, todos contribuímos e todos estamos preocupados. Países às vezes discordam sobre como vamos enfrentar isto – o que é natural –, mas também temos fortes pontos em comum e estamos igualmente comprometidos. O Reino Unido e o Brasil têm ambiciosas metas de redução das emissões, as quais ambos estamos em bom caminho para atingir. As metas do Reino Unido são parte do Protocolo de Quioto – acordo internacional vinculante,  o que quer dizer que as partes estão legalmente comprometidas a atingir as metas. O Brasil propôs suas metas voluntárias à ONU e, desde então, criou o Plano Nacional sobre Mudança do Clima e uma Lei, definindo formalmente papéis e responsabilidades, assim como declarando as metas internacionalmente acordadas.

Outro exemplo são os ODM – um conjunto internacional de objetivos que foram acordados por 189 países – e desde então tem-se criado e adaptado uma série de políticas sociais com vistas a cumprir estes objetivos. Por ser signatário dos ODM, o Brasil criou uma área específica dentro da Secretaria Geral da Presidência da República só para lidar com este assunto. Há um portal do setor privado que monitora o desempenho de municípios no cumprimento das metas. Também há o Prêmio ODM Brasil para cidades e organizações que têm as melhores práticas em relação aos objetivos (eu estive na primeira edição, os prêmios foram entregues pelo próprio Lula e foi a maior festa).

Tais resultados já foram usados como indicadores de sucesso de políticas públicas durante campanhas, conferências e discursos importantes. E o mesmo se aplica a vários outros acordos, convenções e metas.

Eu demorei um tempo dentro deste universo internacional para perceber o quanto política externa e política doméstica são interligadas, uma constantemente influenciando a outra. Então, para responder à pergunta sobre política externa vs política doméstica: não há separação. Estamos nesta juntos.

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